Isabel Alarcão
Professores Reflexivos em uma escola reflexiva, (pag. 81 a 83), Ed. Cortez, 2003
Tomando, como enquadramento, a definição e o comentário que, em seu redor, eu teci, gostaria agora de expandir um pouco esta ideia de escola, comunidade social organizada, detentora de uma missão e características específicas.
Vou apoiar-me em palavras de Maria do Céu Roldão (2001), que ligeiramente modifiquei para caracterizar a escola como eu gostaria que fosse. Quero uma escola comunidade, dotada de pensamento e vida próprios, contextualizada na cultura local e integrada no contexto nacional e global mais abrangente. Não quero, pois, uma escola burocratizada que seja uma mera delegação ministerial. Desejo assim uma escola que conceba, projecte, actue e reflicta em vez de uma escola que apenas executa o que outros pensaram para ela. Uma escola que tenha uma ambição estratégica por oposição a uma escola que não tem visão e não sabe olhar-se no futuro. Não quero uma escola que se lamente do insucesso como um pesado e frustrante fardo a carregar, mas uma escola que questione o insucesso nas suas causas para, relativamente a elas, traçar planos de acção. Uma escola que reflicta sobre os seus próprios processos e as suas formas de actuar e funcionar. Uma escola que analise, desconstrua e refaça as suas opções e a sua acção curricular. Uma escola que saiba criar as suas próprias regras. Mas que, ciente da sua autonomia responsável, saiba prestar contas da sua actuação, justificar os resultados e auto-avaliar-se para definir o seu desenvolvimento. Em vez de uma escola que apenas cumpre as regras emanadas de outrem sem que ninguém avalie nada nem ninguém. Uma escola que se alimente do saber, da produção e da reflexão dos profissionais, os professores que, por isso mesmo, não se sentem meros assalariados. Uma escola à qual não é necessário ditar a formação requerida porque ela própria conhece as suas necessidades, cria os seus contextos de formação e integra a formação no seu desenvolvimento institucional. Uma escola que onde tudo gira à volta da sua missão: educar as novas gerações. Em suma, uma escola com cara, como diria Paulo Freire, e não apenas uma escola... anónima.
Gostaria de acrescentar ainda mais um pozinho para me referir a uma escola de que todos se orgulham: os alunos, os professores, os funcionários, os pais, a comunidade envolvente. Quer isto dizer, uma escola onde os professores se sintam felizes e úteis à sociedade e onde os alunos apreciem como bom é crescer em saber.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Competências de referência - Competências mais específicas a serem trabalhadas em formação contínua
Exemplos:
1. Organizar e animar situações de aprendizagem
• Conhecer, em uma determinada disciplina, os conteúdos a ensinar e sua tradução em objetivos de aprendizagem.
• Trabalhar a partir das representações dos alunos.
• Trabalhar a partir dos erros e obstáculos à aprendizagem.
• Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas
• Comprometer os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento.
2. Gerir a progressão das aprendizagens
• Conceber e gerir situações-problema ajustadas aos níveis e possibilidades dos alunos.
• Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino primário.
• Estabelecer laços com teorias subjacentes às atividades de aprendizagem.
• Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem, segundo uma abordagem formativa.
• Estabelecer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.
3. Conceber e fazer evoluir dispositivos de diferenciação
• Gerir a heterogeneidade dentro de uma classe.
• Ampliar a gestão da classe para um espaço mais vasto.
• Praticar o apoio integrado, trabalhar com alunos em grande dificuldade.
• Desenvolver a cooperação entre alunos e certas formas simples de ensino mútuo.
4. Implicar os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho
• Suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação com os conhecimentos, o sentido do trabalho escolar e desenvolver a capacidade de auto-avaliação na criança.
• Instituir e fazer funcionar um conselho de alunos (conselho de classe ou da escola) e negociar com os alunos diversos tipos de regras e contratos.
• Oferecer atividades de formação opcionais, " à la carte ".
• Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno.
5. Trabalhar em equipe
• Elaborar um projeto de equipe, representações comuns.
• Animar um grupo de trabalho, conduzir reuniões.
• Formar e renovar uma equipe pedagógica.
• Confrontar e analisar juntos situações complexas, práticas e problemas profissionais.
• Administrar crises ou conflitos entre pessoas.
6. Participar da gestão da escola
• Elaborar, negociar um projeto da escola.
• Gerir os recursos da escola.
• Coordenar, animar uma escola com todos os parceiros (para-escolares, bairro, associações de pais, professores de língua e cultura de origem).
• Organizar e fazer evoluir, dentro da escola, a participação dos alunos.
7. Informar e implicar os pais
• Animar reuniões de informação e de debate.
• Conduzir entrevistas.
• Implicar os pais na valorização da construção dos conhecimentos.
8. Utilizar tecnologias novas
• Utilizar softwares de edição de documentos.
• Explorar as potencialidades didáticas dos softwares em relação aos objetivos das áreas de ensino.
• Promover a comunicação à distância através da telemática.
• Utilizar instrumentos multimídia no ensino.
9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão
• Prevenir a violência na escola e na cidade
• Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais.
• Participar da implantação de regras da vida comum envolvendo a disciplina na escola, as sanções e a apreciação de condutas.
• Analisar a relação pedagógica, a autoridade, a comunicação em classe.
• Desenvolver o sentido de responsabilidade, a solidariedade e o sentimento de justiça.
10. Gerir sua própria formação contínua
• Saber explicitar as próprias práticas.
• Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação contínua.
• Negociar um projeto de formação comum com colegas (equipe, escola, rede)
• Envolver-se nas tarefas na escala de um tipo de ensino ou do DIP.
• Acolher e participar da formação dos colegas.
Philippe Perrenoud - 10 novas competências para ensinar.
1. Organizar e animar situações de aprendizagem
• Conhecer, em uma determinada disciplina, os conteúdos a ensinar e sua tradução em objetivos de aprendizagem.
• Trabalhar a partir das representações dos alunos.
• Trabalhar a partir dos erros e obstáculos à aprendizagem.
• Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas
• Comprometer os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento.
2. Gerir a progressão das aprendizagens
• Conceber e gerir situações-problema ajustadas aos níveis e possibilidades dos alunos.
• Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino primário.
• Estabelecer laços com teorias subjacentes às atividades de aprendizagem.
• Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem, segundo uma abordagem formativa.
• Estabelecer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.
3. Conceber e fazer evoluir dispositivos de diferenciação
• Gerir a heterogeneidade dentro de uma classe.
• Ampliar a gestão da classe para um espaço mais vasto.
• Praticar o apoio integrado, trabalhar com alunos em grande dificuldade.
• Desenvolver a cooperação entre alunos e certas formas simples de ensino mútuo.
4. Implicar os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho
• Suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação com os conhecimentos, o sentido do trabalho escolar e desenvolver a capacidade de auto-avaliação na criança.
• Instituir e fazer funcionar um conselho de alunos (conselho de classe ou da escola) e negociar com os alunos diversos tipos de regras e contratos.
• Oferecer atividades de formação opcionais, " à la carte ".
• Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno.
5. Trabalhar em equipe
• Elaborar um projeto de equipe, representações comuns.
• Animar um grupo de trabalho, conduzir reuniões.
• Formar e renovar uma equipe pedagógica.
• Confrontar e analisar juntos situações complexas, práticas e problemas profissionais.
• Administrar crises ou conflitos entre pessoas.
6. Participar da gestão da escola
• Elaborar, negociar um projeto da escola.
• Gerir os recursos da escola.
• Coordenar, animar uma escola com todos os parceiros (para-escolares, bairro, associações de pais, professores de língua e cultura de origem).
• Organizar e fazer evoluir, dentro da escola, a participação dos alunos.
7. Informar e implicar os pais
• Animar reuniões de informação e de debate.
• Conduzir entrevistas.
• Implicar os pais na valorização da construção dos conhecimentos.
8. Utilizar tecnologias novas
• Utilizar softwares de edição de documentos.
• Explorar as potencialidades didáticas dos softwares em relação aos objetivos das áreas de ensino.
• Promover a comunicação à distância através da telemática.
• Utilizar instrumentos multimídia no ensino.
9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão
• Prevenir a violência na escola e na cidade
• Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais.
• Participar da implantação de regras da vida comum envolvendo a disciplina na escola, as sanções e a apreciação de condutas.
• Analisar a relação pedagógica, a autoridade, a comunicação em classe.
• Desenvolver o sentido de responsabilidade, a solidariedade e o sentimento de justiça.
10. Gerir sua própria formação contínua
• Saber explicitar as próprias práticas.
• Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação contínua.
• Negociar um projeto de formação comum com colegas (equipe, escola, rede)
• Envolver-se nas tarefas na escala de um tipo de ensino ou do DIP.
• Acolher e participar da formação dos colegas.
Philippe Perrenoud - 10 novas competências para ensinar.
AGRESSIVIDADE E APRENDIZAGEM
A questão da falta de motivação para o envolvimento na aprendizagem do ensino regular nas escolas é um dos pontos mais angustiantes para pais e professores. Se por um lado, em casa, os pais dizem não saber mais o que fazer para modificar a situação, por outro, na escola, os professores também vão perdendo a motivação frente às dificuldades cotidianas com os alunos.
Existem muitas propostas de entendimento desse fenômeno, todas trazendo valiosas contribuições, quase sempre enfocando aspectos sociais e disciplinares do contexto de vida dos jovens. Contudo, pelo ponto de vista psicanalítico, teremos que buscar as causas nas raízes das manifestações comportamentais, ou seja, nos instintos básicos que emanam do inconsciente. Se falamos da falta de motivação – e ela é um aspecto da subjetividade do ser humano – teremos que analisar as pulsões mais primitivas que sustentam nossos desejos, ou a falta deles.
Partimos da existência de dois instintos básicos – a libido e a agressividade – presentes como forças dinâmicas do psiquismo humano. Com vistas aos propósitos em questão, estaremos apenas nos detendo em algumas características do estudo da agressividade.
O instinto agressivo atua no sentido da desagregação da matéria, como uma pulsão de morte, tendo aspectos de sua manifestação na economia interna das forças psíquicas, como também nos comportamentos externos que delas vão resultar. A agressividade, por isso mesmo, acaba sendo um componente importante à intervenção no meio social pelo homem, quando associada de forma equilibrada à libido.
Apesar de somente se tornarem manifestos em situações patológicas, existem na agressividade, componentes sádicos e masoquistas como expressões destrutivas e autodestrutivas da vida. Um sintoma clássico do componente sádico é a dominação. Quem já teve acesso a alguma leitura ou reportagem sobre atitudes sado-masoquistas nas relações sexuais já pode verificar um tipo de manifestação sádica da dominação. Assim sendo, a dominação engloba um comportamento de uso por apropriação de algum objeto afetivo, que pode ser desde outro ser humano até ... o conhecimento. Isso mesmo, interessar-se pelo estudo é uma pulsão sadia de dominação derivada do instinto de agressividade.
Entretanto, todo instinto na forma original tem sua manifestação direcionada para algum órgão do corpo biológico. A libido para os órgãos sexuais e a agressividade para o sistema muscular. Enquanto esses instintos permanecem fixados em sua destinação original, eles catexizam pouco outras áreas do ser humano (catexizar é investir um objeto com a energia do instinto). O que vai promover tal mudança – da destinação original para outras áreas – é um fenômeno a que chamamos de sublimação, que consiste em desviar a pulsão para outros focos onde ela possa se manifestar livremente mas também de forma socialmente sadia. Estudar é uma forma de sublimação dos instintos agressivos.
Mas, vejamos que nossas crianças e jovens vêm sendo estimulados por toda espécie de condicionamentos violentos, presentes em grande parte das programações da TV, incitando-os a descarregar a agressividade em comportamentos também violentos, ao invés de sublimá-la em outras direções, como nos estudos, onde estariam se apropriando, por dominação, do conhecimento.
Vocês já pensaram que antigamente quando não havia tanta divulgação da violência a situação nas escolas era diferente? Vocês já pensaram que as maiores vítimas dessas dificuldades são os meninos, justamente porque eles possuem mais massa muscular, o que favorece a descarga da agressividade pelo corpo e não a sua sublimação no estudo? Pois creiam, é isso mesmo o que acontece, o que não invalidam outras explicações possíveis, mas que estariam mais como reforço do processo do que como causa primária.
E reparem que a maioria desses jovens que mergulham nesta situação, quando passam a ser discriminados pela escola, pela sociedade e até pela família, baixam sua auto-estima; com a conseqüente diminuição de investimento da libido e do prazer de viver, a agressividade se torna prevalente, resultando em atitudes agressivas contra o ambiente social e contra si mesmos: um comportamento patológico da agressividade, com a presença de seus componente sádicos e masoquistas, gerando violências internas (vícios de toda ordem por exemplo) e externas (criminalidade).
Por isso não podemos pensar a falta de motivação para o estudo apenas do ponto de vista das dificuldades ambientais, como a falta de incentivo pela família, mas como uma doença psíquica, com componentes sociais e que como tal precisa ser abordada.
João Carvalho Neto
Psicanalista, autor do livro “Psicanálise da alma”
Existem muitas propostas de entendimento desse fenômeno, todas trazendo valiosas contribuições, quase sempre enfocando aspectos sociais e disciplinares do contexto de vida dos jovens. Contudo, pelo ponto de vista psicanalítico, teremos que buscar as causas nas raízes das manifestações comportamentais, ou seja, nos instintos básicos que emanam do inconsciente. Se falamos da falta de motivação – e ela é um aspecto da subjetividade do ser humano – teremos que analisar as pulsões mais primitivas que sustentam nossos desejos, ou a falta deles.
Partimos da existência de dois instintos básicos – a libido e a agressividade – presentes como forças dinâmicas do psiquismo humano. Com vistas aos propósitos em questão, estaremos apenas nos detendo em algumas características do estudo da agressividade.
O instinto agressivo atua no sentido da desagregação da matéria, como uma pulsão de morte, tendo aspectos de sua manifestação na economia interna das forças psíquicas, como também nos comportamentos externos que delas vão resultar. A agressividade, por isso mesmo, acaba sendo um componente importante à intervenção no meio social pelo homem, quando associada de forma equilibrada à libido.
Apesar de somente se tornarem manifestos em situações patológicas, existem na agressividade, componentes sádicos e masoquistas como expressões destrutivas e autodestrutivas da vida. Um sintoma clássico do componente sádico é a dominação. Quem já teve acesso a alguma leitura ou reportagem sobre atitudes sado-masoquistas nas relações sexuais já pode verificar um tipo de manifestação sádica da dominação. Assim sendo, a dominação engloba um comportamento de uso por apropriação de algum objeto afetivo, que pode ser desde outro ser humano até ... o conhecimento. Isso mesmo, interessar-se pelo estudo é uma pulsão sadia de dominação derivada do instinto de agressividade.
Entretanto, todo instinto na forma original tem sua manifestação direcionada para algum órgão do corpo biológico. A libido para os órgãos sexuais e a agressividade para o sistema muscular. Enquanto esses instintos permanecem fixados em sua destinação original, eles catexizam pouco outras áreas do ser humano (catexizar é investir um objeto com a energia do instinto). O que vai promover tal mudança – da destinação original para outras áreas – é um fenômeno a que chamamos de sublimação, que consiste em desviar a pulsão para outros focos onde ela possa se manifestar livremente mas também de forma socialmente sadia. Estudar é uma forma de sublimação dos instintos agressivos.
Mas, vejamos que nossas crianças e jovens vêm sendo estimulados por toda espécie de condicionamentos violentos, presentes em grande parte das programações da TV, incitando-os a descarregar a agressividade em comportamentos também violentos, ao invés de sublimá-la em outras direções, como nos estudos, onde estariam se apropriando, por dominação, do conhecimento.
Vocês já pensaram que antigamente quando não havia tanta divulgação da violência a situação nas escolas era diferente? Vocês já pensaram que as maiores vítimas dessas dificuldades são os meninos, justamente porque eles possuem mais massa muscular, o que favorece a descarga da agressividade pelo corpo e não a sua sublimação no estudo? Pois creiam, é isso mesmo o que acontece, o que não invalidam outras explicações possíveis, mas que estariam mais como reforço do processo do que como causa primária.
E reparem que a maioria desses jovens que mergulham nesta situação, quando passam a ser discriminados pela escola, pela sociedade e até pela família, baixam sua auto-estima; com a conseqüente diminuição de investimento da libido e do prazer de viver, a agressividade se torna prevalente, resultando em atitudes agressivas contra o ambiente social e contra si mesmos: um comportamento patológico da agressividade, com a presença de seus componente sádicos e masoquistas, gerando violências internas (vícios de toda ordem por exemplo) e externas (criminalidade).
Por isso não podemos pensar a falta de motivação para o estudo apenas do ponto de vista das dificuldades ambientais, como a falta de incentivo pela família, mas como uma doença psíquica, com componentes sociais e que como tal precisa ser abordada.
João Carvalho Neto
Psicanalista, autor do livro “Psicanálise da alma”
A DIFERENÇA ENTRE A FORÇA E A CORAGEM
É preciso ter força para ser firme,
mas é preciso coragem para ser gentil.
É preciso ter força para se defender,
mas é preciso coragem para baixar a guarda.
É preciso ter força para ganhar uma guerra,
mas é preciso coragem para se render.
É preciso ter força para estar certo,
mas é preciso coragem para ter dúvida.
É preciso ter força para manter-se em forma,
mas é preciso coragem para ficar de pé.
É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.
É preciso ter força para esconder os próprios males,
mas é preciso coragem para demonstrá-los.
É preciso ter força para suportar o abuso,
mas é preciso coragem para fazê-lo parar.
É preciso ter força para ficar sozinho,
mas é preciso coragem para pedir apoio.
É preciso ter força para amar,
mas é preciso coragem para ser amado.
É preciso ter força para sobreviver,
mas é preciso coragem para viver.
mas é preciso coragem para ser gentil.
É preciso ter força para se defender,
mas é preciso coragem para baixar a guarda.
É preciso ter força para ganhar uma guerra,
mas é preciso coragem para se render.
É preciso ter força para estar certo,
mas é preciso coragem para ter dúvida.
É preciso ter força para manter-se em forma,
mas é preciso coragem para ficar de pé.
É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.
É preciso ter força para esconder os próprios males,
mas é preciso coragem para demonstrá-los.
É preciso ter força para suportar o abuso,
mas é preciso coragem para fazê-lo parar.
É preciso ter força para ficar sozinho,
mas é preciso coragem para pedir apoio.
É preciso ter força para amar,
mas é preciso coragem para ser amado.
É preciso ter força para sobreviver,
mas é preciso coragem para viver.
A DIFICULDADE DE AGRADAR A TODOS
Muitas pessoas se comportam da forma que imaginam que agradará a todos.
Esta metáfora nos fala da impossibilidade de realizar este objetivo e sobre
a necessidade de confiarmos em nosso julgamento interno.
Em pleno calor do dia um pai andava pelas poeirentas ruas de Keshan junto com seu filho e um jumento.
O pai estava sentado no animal, enquanto o filho o conduzia, puxando a montaria com uma corda.
"Pobre criança!", exclamou um passante, "suas perninhas curtas precisam esforçar-se para não ficar para trás do jumento.
Como pode aquele homem ficar ali sentado tão calmamente sobre a montaria,
ao ver que o menino está virando um farrapo de tanto correr.
O pai tomou a sério esta observação, desmontou do jumento na esquina seguinte e colocou o rapaz sobre a sela.
Porém não passou muito tempo até que outro passante erguesse a voz para dizer:
Que desgraça! O pequeno fedelho lá vai sentado como um sultão, enquanto seu velho pai corre ao lado.
Esse comentário muito magoou o rapaz, e ele pediu ao pai que montasse também no burro, às suas costas.
Já se viu coisa como essa?, resmungou uma mulher usando véu. Tamanha crueldade para com os animais!
O lombo do pobre jumento está vergado, e aquele velho que para nada serve e seu filho abancaram-se como seu o animal fosse um divã.
Pobre criatura! "Os dois alvos dessa amarga crítica entreolharam-se e, sem dizer palavra, desmontaram.
Entretanto mal tinham andado alguns passos quando outro estranho fez troça deles ao dizer:
Graças a Deus que eu não sou tão bobo assim!
Por que vocês dois conduzem esse jumento se ele não lhes presta serviço algum, se ele nem mesmo serve de montaria para um de vocês?
O pai colocou um punhado de palha na boca do jumento e pôs a mão sobre o ombro do filho.
"Independente do que fazemos", disse, sempre há alguém que discorda de nossa ação.
Acho que nós mesmos precisamos determinar o que é correto".
Esta metáfora nos fala da impossibilidade de realizar este objetivo e sobre
a necessidade de confiarmos em nosso julgamento interno.
Em pleno calor do dia um pai andava pelas poeirentas ruas de Keshan junto com seu filho e um jumento.
O pai estava sentado no animal, enquanto o filho o conduzia, puxando a montaria com uma corda.
"Pobre criança!", exclamou um passante, "suas perninhas curtas precisam esforçar-se para não ficar para trás do jumento.
Como pode aquele homem ficar ali sentado tão calmamente sobre a montaria,
ao ver que o menino está virando um farrapo de tanto correr.
O pai tomou a sério esta observação, desmontou do jumento na esquina seguinte e colocou o rapaz sobre a sela.
Porém não passou muito tempo até que outro passante erguesse a voz para dizer:
Que desgraça! O pequeno fedelho lá vai sentado como um sultão, enquanto seu velho pai corre ao lado.
Esse comentário muito magoou o rapaz, e ele pediu ao pai que montasse também no burro, às suas costas.
Já se viu coisa como essa?, resmungou uma mulher usando véu. Tamanha crueldade para com os animais!
O lombo do pobre jumento está vergado, e aquele velho que para nada serve e seu filho abancaram-se como seu o animal fosse um divã.
Pobre criatura! "Os dois alvos dessa amarga crítica entreolharam-se e, sem dizer palavra, desmontaram.
Entretanto mal tinham andado alguns passos quando outro estranho fez troça deles ao dizer:
Graças a Deus que eu não sou tão bobo assim!
Por que vocês dois conduzem esse jumento se ele não lhes presta serviço algum, se ele nem mesmo serve de montaria para um de vocês?
O pai colocou um punhado de palha na boca do jumento e pôs a mão sobre o ombro do filho.
"Independente do que fazemos", disse, sempre há alguém que discorda de nossa ação.
Acho que nós mesmos precisamos determinar o que é correto".
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
COMUNIDADE SENHOR BOM JESUS – VICENTINÓPOLIS A VIDA DA COMUNIDADE
COMUNIDADE SENHOR BOM
JESUS – VICENTINÓPOLIS
A VIDA DA COMUNIDADE
Sempre houve a necessidade de
conhecermos a formação de nossa comunidade, o início das atividades da Igreja
Senhor Bom Jesus, época de sua instalação, os motivos que levaram as famílias a
se instalarem em suas imediações e as razões pela escolha do padroeiro. Inúmeras
são as perguntas e poucas as respostas que encontramos, principalmente em
relação a datas.
Pesquisando a história da comunidade,
em fontes divulgadas oficialmente como Prefeituras, Cartórios de Registro de Notas
e Imóveis e em documentos públicos, encontramos fatos históricos que se iniciam
com o desenvolvimento do oeste paulista, ou sertão paulista como chamado
antigamente.
Historicamente,
o município de Jaboticabal, no ano de 1867, abrangia as regiões de São José do
Rio Preto, Jales, Fernandópolis, Votuporanga, Araçatuba, Barretos, Catanduva,
Novo Horizonte, entre outras, estando limitados pelos rios Mogi Guaçu, Grande,
Tietê e Paraná. Desde então, Jaboticabal teve diversos desmembramentos dando
vida a outros municípios.
A
expansão da cafeicultura para o oeste do Estado de São Paulo, na segunda metade
do século XIX, além da implantação das ferrovias, foram os marcos do
desenvolvimento da região, (1), local onde hoje nos encontramos.
Em 1º de Julho de 1898,
foram cortados e loteados terrenos (glebas de terras), sítios e fazendas no
chamado Sertão de Rio Preto
Uma
estrada Boiadeira, com demanda ao Sertão rumo ao Porto Taboado, passava pelo
Patrimônio Água Limpa, ponto de pouso de boiadas e comitivas que por ali
transitavam.
Com a venda de
glebas de terra aportaram desbravadores que deram início a derrubada das matas
e o plantio de café, cereais etc, Como ocorria em muitas localidades, naquela
época os lotes eram oferecidos gratuitamente para aqueles que tinham condições
de construir.
A 08 de
fevereiro de 1912, o Patrimônio Água Limpa, foi elevado a categoria de Distrito
Policial. Com ajuda do povo da cidade e da região houve a venda de terrenos
foreiros. (2) O referido patrimônio tornou-se o atual município de Monte
Aprazível comarca que inicialmente recebia os registros de nossa região. (3)
As Bandeiras,
símbolo maior do desbravamento do interior do Estado de São Paulo, ainda no
período colonial, foram os primeiros grupamentos civilizados a registrar
passagem por estes rincões utilizando a navegabilidade do rio Tietê. No
entanto, não deixaram qualquer sinal de civilização ou povoamento. Alguns
parcos registros históricos mencionam mapeamentos feitos na região com o escopo
de encontrar pedras preciosas e outras riquezas que pudessem dar lucro ao
império português.
Mais tarde, já
no período republicano, início do século XX, o anseio de povoar o interior do
País com o intuito de pacificá-lo como nação, ratificando o trabalho iniciado
pelos Bandeirantes, e defendendo nossa soberania contra os interesses de outros
países, somado à necessidade de escoar a produção aurífera das novas minas de
Cuiabá fez surgir a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), que havia sido
idealizada ainda no período imperial pelo próprio D. Pedro II, mas que não
tinha saído do papel.
Apesar das
dificuldades, com o passar do tempo a estrada de ferro foi avançando sertão à
dentro. Concomitantemente surgiram alguns lugarejos ao longo do traçado. Entre
esses, um inaugurado em 02 de dezembro de 1908 foi a estação Araçatuba. Há até
uma teoria de que a NOB e alguns políticos mantinham um relacionamento
estreito, manipulando a criação de cidades ao longo da ferrovia onde se fariam
pequenos loteamentos visando facilitar no futuro a reclamação das terras e
conseqüentemente evitar as disputas judiciais. (4)
Nesta época o
desenvolvimento da região se dava pelos dois lados do rio Tietê. De um lado
temos a Estrada de Ferro Noroeste do
Brasil que foi aberta em 1906 e que chega em Araçatuba em 1908 e em 1910
atingiu as margens do rio Paraná, em Jupiá. (5).
Pelo
outro lado do Rio Tietê com a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense
(EFA), em 1912, até
Rio Preto, aquele município assume o seu destino de pólo comercial de
concentração de mercadorias produzidas no então conhecido Sertão e polo de
distribuição de materiais vindos da capital.(6)
Em 17 de fevereiro de 1919, o Senhor
Thomas Sebastião de Mendonça, e sua esposa, cumprindo promessa religiosa, doam
uma gleba de terra de 10 alqueires ao bispado de São Carlo, para que ali fosse
fundado um povoado em homenagem aos seus santos devotos, Santo Antônio e Nossa
Senhora do Carmo.
A 31 de dezembro de 1963 é publicada
no Diário Oficial do Estado, a elevação da vila a condição de Distrito, com a
transferência da sede do Distrito de Major Prado para Santo Antônio do
Aracanguá.
A ascensão a município veio depois de
muitas lutas. Em 19 de maio de 1991, finalmente a população de Santo Antônio do
Aracanguá aprova em plebiscito, a sua emancipação política, desmembrando-se do
município de Araçatuba e, abrangendo em sua área territorial os bairros rurais
de Major Prado e Vicentinópolis, que hoje são Distritos de Santo Antônio do
Aracanguá.(7)
Aprofundando
a pesquisa encontramos no Cartório do Registro de Imóveis de Monte Aprazível a
Transcrição sob número 541, livro n. 3, página 167, aonde o Senhor Augusto
Ribeiro da Silva, vindo de Jaboticabal trazido por José Bento de Camargo, faz o
registro da aquisição de terras situadas na Fazenda Macahubas, adquiridas do
Senhor Joaquim Costa e de sua esposa a senhora Elvira S. Costa, confrontando-se
por um lado com o adquirente, por outro com Jose Bento de Camargo por outro com
Francisco Lisboa e finalmente com o córrego Macahubas, registro este realizado
em 11/10/1928.
Encontramos
também outros registros realizados em 26/11/1931 e 12/12/1931, Transcrição
número 2.215, livro n. 2-C, página 136, do Cartório do 1º Ofício de Rio Preto,
onde consta o registro de recebimento por Sentença Homologada em Rio Preto em
21/09/1915 de suas primeiras aquisições de terras onde hoje nos encontramos.
Importa
que nestes documentos pesquisados consta também a partilha feita pelo espólio
de Anna Pereira Ribeiro, transcrições n. 8.570 a 8.578, registradas no livro n.
3-J, páginas 274 a 283 de 10/10/1938, onde aparece como confrontante da área
partilhada a “Matriz da Povoação de Vicentinópolis”.
Neste
mesmo documento há inclusive a seguinte citação: “...até encontrarem um marco
de pau-terra na divisa com Abrão Chibene e tomando por estas seguem no rumo
S.E. 2º700 metros até uma rua sem nome da povoação de Vicentinópolis e seguindo
por essa rua até o largo da Igreja, contornando-se o largo vão até a casa de
Abrão Chibene e daí tomando a estrada de automóvel que vai para Araçatuba...”
Assistindo
ao documentário produzido pela família, confirma-se a primeira aquisição do
patriarca Augusto Ribeiro da Silva no ano de 1905, e registro da propriedade em
1912, dado que se aproximam da pesquisa realizada.
Interessa-nos
que nestes documentos há o reconhecimento da área de terras de propriedade da “Igreja
Matriz de Vicentinópolis”, ou seja, a Igreja Senhor Bom Jesus de
Vicentinópolis.
São
muitos os nomes da época, diversas famílias vieram para esta região, adquiriram
suas propriedades, e, além da agricultura e pecuária, exploravam olarias.
Vale
ressaltar que estas famílias em algum momento formaram esta comunidade e com
seus esforços e dedicações escolheram Jesus como padroeiro a quem recorrer e
pedir intercessões a Deus. Lembrando o que ele mesmo ensinou, “onde dois ou
mais estiverem reunidos em meu nome, ali eu estarei”.
Consta
que a princípio era uma Igrejinha de pau a pique, depois fizeram um prédio de
alvenaria em seguida ampliaram e construiram a torre trocando inclusive o sino
por outro maior (não encontramos registros de datas), vindo novamente ser
ampliada na década de 1990 ficando da forma que se encontra hoje.
Assim
como a Igreja, logo providenciaram um salão para festas e um coreto de onde se
leiloavam os frangos e prendas trazidos pelas famílias em oferta e
agradecimento. Há relatos de que o frango era assado nas casas pela própria
família que os doava já assado.
O
antigo salão também fora ampliado e posteriormente demolido na década de 1980 onde
no local foi feita a construção da forma como é hoje e posteriormente ampliado
nas décadas de 1990 e 2000. Recentemente (2010) tem nova ampliação, agora da
cozinha.
Diversos
padres e religiosas passaram por nossa comunidade, inclusive há o registro de
um certo Padre Epifâneo, inclusive homenageado com nome de rua, porem nada
sabemos de sua vida, o que nos entristece.
Encontramos
nas Transcrições de Registro de Imóveis os seguintes nomes de pessoas que acreditamos
serem os fundadores desta Localidade:
1.
José Bento de Camargo e sua esposa
Antonia Honorata de
Jesus
2.
Augusto Ribeiro da Silva
3.
Joaquim Costa e sua esposa Elvira S.
Costa
4.
Francisco Lisboa
5.
Justino Pereira Dias
6.
Delfina Maria de Jesus
7.
João Lisboa
8.
Samuel
9.
Gracinda
10.
Miguel Mazzotti
11.
Abrão Chibene
Ressaltamos
que não há o interesse de privilegiar ou desmerecer alguma família, estamos em
busca da origem de nossa comunidade e convidamos a todos que façam seus relatos
por escrito, junte documentos, fotos, cópia de escrituras antigas e nos envie
para juntos apurarmos e construirmos nossa verdadeira história.
Concluindo
podemos declarar como registro inicial oficial o ano de 1912 como sendo de
fundação desta comunidade, ou seja, contanto com 98 anos de idade rumo ao seu
centenário em 2012. Podendo também estar completando 105 anos tomando por certo
o documentário produzido pela família. Caso alguém encontre documentos que
provem e contrarie esta pesquisa seus dados poderão ser alterados e publicados
posteriormente. Há muita pesquisa ainda por fazer.
FONTE
DE PESQUISA
1
- Prefeitura de Jaboticabal
2
– Foreiro – Aquele que faz uso de uma propriedade, recebe lucro e paga uma
quantia anualmente ao senhorio ou q ue
tem uso ou privilégio garantido pela lei.
3-
Cartório de Registro de Imóveis de Araçatuba
4 -Prefeitura Municipal de Monte
Aprazível
5
- História da Ferrovia
6
–Prefeitura municipal de São José do Rio Preto
7
– Prefeitura Municipal de Santo Antonio do Aracanguá
8- Pesquisa realizada pelo prof. Mauricio Camargo
8- Pesquisa realizada pelo prof. Mauricio Camargo
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