terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A ESCOLA COMO EU GOSTARIA QUE ELA FOSSE

Isabel Alarcão
Professores Reflexivos em uma escola reflexiva, (pag. 81 a 83), Ed. Cortez, 2003

    Tomando, como enquadramento, a definição e o comentário que, em seu redor, eu teci, gostaria agora de expandir um pouco esta ideia de escola, comunidade social organizada, detentora de uma missão e características específicas.
    Vou apoiar-me em palavras de Maria do Céu Roldão (2001), que ligeiramente modifiquei para caracterizar a escola como eu gostaria que fosse. Quero uma escola comunidade, dotada de pensamento e vida próprios, contextualizada na cultura local e integrada no contexto nacional e global mais abrangente. Não quero, pois, uma escola burocratizada que seja uma mera delegação ministerial. Desejo assim uma escola que conceba, projecte, actue e reflicta em vez de  uma escola que apenas executa o que outros pensaram para ela. Uma escola que tenha uma ambição estratégica por oposição a uma escola que não tem visão e não sabe olhar-se no futuro. Não quero uma escola que se lamente do insucesso como um pesado e frustrante fardo a carregar, mas uma escola que questione o insucesso nas suas causas para, relativamente a elas, traçar planos de acção. Uma escola que reflicta sobre os seus próprios processos e as suas formas de actuar e funcionar. Uma escola que analise, desconstrua e refaça as suas opções e a  sua acção curricular. Uma escola que saiba criar as suas próprias regras. Mas que, ciente da sua autonomia responsável, saiba prestar contas da sua actuação, justificar os resultados e auto-avaliar-se para definir o seu desenvolvimento. Em vez de uma escola que apenas cumpre as regras emanadas de outrem sem que ninguém avalie nada nem ninguém. Uma escola que se alimente do saber, da produção e da reflexão dos profissionais, os professores que, por isso mesmo, não se sentem meros assalariados. Uma escola à qual não é necessário ditar a formação requerida porque ela própria conhece as suas necessidades, cria os seus contextos de formação e integra a formação no seu desenvolvimento institucional. Uma escola que onde tudo gira à volta da sua missão: educar as novas gerações. Em suma, uma escola com cara, como diria Paulo Freire, e não apenas uma escola... anónima.
    Gostaria de acrescentar ainda mais um pozinho para me referir a uma escola de que todos se orgulham: os alunos, os professores, os funcionários, os pais, a comunidade envolvente. Quer isto dizer, uma escola onde os professores se sintam felizes e úteis à sociedade e onde os alunos apreciem como bom é crescer em saber.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Competências de referência - Competências mais específicas a serem trabalhadas em formação contínua

Exemplos:

1. Organizar e animar situações de aprendizagem  
•    Conhecer, em uma determinada disciplina, os conteúdos a ensinar e sua tradução em objetivos de aprendizagem.
•    Trabalhar a partir das representações dos alunos.
•    Trabalhar a partir dos erros e obstáculos à aprendizagem.
•    Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas
•    Comprometer os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento.

2. Gerir a progressão das aprendizagens  
•     Conceber e gerir situações-problema ajustadas aos níveis e possibilidades dos alunos.
•    Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino primário.
•    Estabelecer laços com teorias subjacentes às atividades de aprendizagem.
•    Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem, segundo uma abordagem formativa.
•    Estabelecer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.

3. Conceber e fazer evoluir dispositivos de diferenciação 
•     Gerir a heterogeneidade dentro de uma classe.
•    Ampliar a gestão da classe para um espaço mais vasto.
•    Praticar o apoio integrado, trabalhar com alunos em grande dificuldade.
•    Desenvolver a cooperação entre alunos e certas formas simples de ensino mútuo.

4. Implicar os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho 
•     Suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação com os conhecimentos, o sentido do trabalho escolar e desenvolver a capacidade de auto-avaliação na criança.
•    Instituir e fazer funcionar um conselho de alunos (conselho de classe ou da escola) e negociar com os alunos diversos tipos de regras e contratos.
•    Oferecer atividades de formação opcionais, " à la carte ".
•    Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno.

5. Trabalhar em equipe 
•     Elaborar um projeto de equipe, representações comuns.
•    Animar um grupo de trabalho, conduzir reuniões.
•    Formar e renovar uma equipe pedagógica.
•    Confrontar e analisar juntos situações complexas, práticas e problemas profissionais.
•    Administrar crises ou conflitos entre pessoas.

6. Participar da gestão da escola 
•     Elaborar, negociar um projeto da escola.
•    Gerir os recursos da escola.
•    Coordenar, animar uma escola com todos os parceiros (para-escolares, bairro, associações de pais, professores de língua e cultura de origem).
•    Organizar e fazer evoluir, dentro da escola, a participação dos alunos.

7. Informar e implicar os pais  
•     Animar reuniões de informação e de debate.
•    Conduzir entrevistas.
•    Implicar os pais na valorização da construção dos conhecimentos.

8. Utilizar tecnologias novas  
•     Utilizar softwares de edição de documentos.
•    Explorar as potencialidades didáticas dos softwares em relação aos objetivos das áreas de ensino.
•    Promover a comunicação à distância através da telemática.
•    Utilizar instrumentos multimídia no ensino.

9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão 
•    Prevenir a violência na escola e na cidade
•    Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais.
•    Participar da implantação de regras da vida comum envolvendo a disciplina na escola, as sanções e a apreciação de condutas.
•    Analisar a relação pedagógica, a autoridade, a comunicação em classe.
•    Desenvolver o sentido de responsabilidade, a solidariedade e o sentimento de justiça.

 10. Gerir sua própria formação contínua 
•    Saber explicitar as próprias práticas.
•    Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação contínua.
•    Negociar um projeto de formação comum com colegas (equipe, escola, rede)
•    Envolver-se nas tarefas na escala de um tipo de ensino ou do DIP.
•    Acolher e participar da formação dos colegas.
      Philippe Perrenoud - 10 novas competências para ensinar.

AGRESSIVIDADE E APRENDIZAGEM

A questão da falta de motivação para o envolvimento na aprendizagem do ensino regular nas escolas é um dos pontos mais angustiantes para pais e professores. Se por um lado, em casa, os pais dizem não saber mais o que fazer para modificar a situação, por outro, na escola, os professores também vão perdendo a motivação frente às dificuldades cotidianas com os alunos.

Existem muitas propostas de entendimento desse fenômeno, todas trazendo valiosas contribuições, quase sempre enfocando aspectos sociais e disciplinares do contexto de vida dos jovens. Contudo, pelo ponto de vista psicanalítico, teremos que buscar as causas nas raízes das manifestações comportamentais, ou seja, nos instintos básicos que emanam do inconsciente. Se falamos da falta de motivação – e ela é um aspecto da subjetividade do ser humano – teremos que analisar as pulsões mais primitivas que sustentam nossos desejos, ou a falta deles.

Partimos da existência de dois instintos básicos – a libido e a agressividade – presentes como forças dinâmicas do psiquismo humano. Com vistas aos propósitos em questão, estaremos apenas nos detendo em algumas características do estudo da agressividade.

O instinto agressivo atua no sentido da desagregação da matéria, como uma pulsão de morte, tendo aspectos de sua manifestação na economia interna das forças psíquicas, como também nos comportamentos externos que delas vão resultar. A agressividade, por isso mesmo, acaba sendo um componente importante à intervenção no meio social pelo homem, quando associada de forma equilibrada à libido.

Apesar de somente se tornarem manifestos em situações patológicas, existem na agressividade, componentes sádicos e masoquistas como expressões destrutivas e autodestrutivas da vida. Um sintoma clássico do componente sádico é a dominação. Quem já teve acesso a alguma leitura ou reportagem sobre atitudes sado-masoquistas nas relações sexuais já pode verificar um tipo de manifestação sádica da dominação. Assim sendo, a dominação engloba um comportamento de uso por apropriação de algum objeto afetivo, que pode ser desde outro ser humano até ... o conhecimento. Isso mesmo, interessar-se pelo estudo é uma pulsão sadia de dominação derivada do instinto de agressividade.

Entretanto, todo instinto na forma original tem sua manifestação direcionada para algum órgão do corpo biológico. A libido para os órgãos sexuais e a agressividade para o sistema muscular. Enquanto esses instintos permanecem fixados em sua destinação original, eles catexizam pouco outras áreas do ser humano (catexizar é investir um objeto com a energia do instinto). O que vai promover tal mudança – da destinação original para outras áreas – é um fenômeno a que chamamos de sublimação, que consiste em desviar a pulsão para outros focos onde ela possa se manifestar livremente mas também de forma socialmente sadia. Estudar é uma forma de sublimação dos instintos agressivos.

Mas, vejamos que nossas crianças e jovens vêm sendo estimulados por toda espécie de condicionamentos violentos, presentes em grande parte das programações da TV, incitando-os a descarregar a agressividade em comportamentos também violentos, ao invés de sublimá-la em outras direções, como nos estudos, onde estariam se apropriando, por dominação, do conhecimento.

Vocês já pensaram que antigamente quando não havia tanta divulgação da violência a situação nas escolas era diferente? Vocês já pensaram que as maiores vítimas dessas dificuldades são os meninos, justamente porque eles possuem mais massa muscular, o que favorece a descarga da agressividade pelo corpo e não a sua sublimação no estudo? Pois creiam, é isso mesmo o que acontece, o que não invalidam outras explicações possíveis, mas que estariam mais como reforço do processo do que como causa primária.

E reparem que a maioria desses jovens que mergulham nesta situação, quando passam a ser discriminados pela escola, pela sociedade e até pela família, baixam sua auto-estima; com a conseqüente diminuição de investimento da libido e do prazer de viver, a agressividade se torna prevalente, resultando em atitudes agressivas contra o ambiente social e contra si mesmos: um comportamento patológico da agressividade, com a presença de seus componente sádicos e masoquistas, gerando violências internas (vícios de toda ordem por exemplo) e externas (criminalidade).

Por isso não podemos pensar a falta de motivação para o estudo apenas do ponto de vista das dificuldades ambientais, como a falta de incentivo pela família, mas como uma doença psíquica, com componentes sociais e que como tal precisa ser abordada.

João Carvalho Neto
Psicanalista, autor do livro “Psicanálise da alma”

A DIFERENÇA ENTRE A FORÇA E A CORAGEM

É preciso ter força para ser firme,
mas é preciso coragem para ser gentil.
É preciso ter força para se defender,
mas é preciso coragem para baixar a guarda.
É preciso ter força para ganhar uma guerra,
mas é preciso coragem para se render.
É preciso ter força para estar certo,
mas é preciso coragem para ter dúvida.
É preciso ter força para manter-se em forma,
mas é preciso coragem para ficar de pé.
É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.
É preciso ter força para esconder os próprios males,
mas é preciso coragem para demonstrá-los.
É preciso ter força para suportar o abuso,
mas é preciso coragem para fazê-lo parar.
É preciso ter força para ficar sozinho,
mas é preciso coragem para pedir apoio.
É preciso ter força para amar,
mas é preciso coragem para ser amado.
É preciso ter força para sobreviver,
mas é preciso coragem para viver.

A DIFICULDADE DE AGRADAR A TODOS

Muitas pessoas se comportam da forma que imaginam que agradará a todos.

Esta metáfora nos fala da impossibilidade de realizar este objetivo e sobre
a necessidade de confiarmos em nosso julgamento interno.

Em pleno calor do dia um pai andava pelas poeirentas ruas de Keshan junto com seu filho e um jumento.

O pai estava sentado no animal, enquanto o filho o conduzia, puxando a montaria com uma corda.

"Pobre criança!", exclamou um passante, "suas perninhas curtas precisam esforçar-se para não ficar para trás do jumento.

Como pode aquele homem ficar ali sentado tão calmamente sobre a montaria,
ao ver que o menino está virando um farrapo de tanto correr.

O pai tomou a sério esta observação, desmontou do jumento na esquina seguinte e colocou o rapaz sobre a sela.

Porém não passou muito tempo até que outro passante erguesse a voz para dizer:

Que desgraça! O pequeno fedelho lá vai sentado como um sultão, enquanto seu velho pai corre ao lado.

Esse comentário muito magoou o rapaz, e ele pediu ao pai que montasse também no burro, às suas costas.

Já se viu coisa como essa?, resmungou uma mulher usando véu. Tamanha crueldade para com os animais!

O lombo do pobre jumento está vergado, e aquele velho que para nada serve e seu filho abancaram-se como seu o animal fosse um divã.

Pobre criatura! "Os dois alvos dessa amarga crítica entreolharam-se e, sem dizer palavra, desmontaram.

Entretanto mal tinham andado alguns passos quando outro estranho fez troça deles ao dizer:

Graças a Deus que eu não sou tão bobo assim!

Por que vocês dois conduzem esse jumento se ele não lhes presta serviço algum, se ele nem mesmo serve de montaria para um de vocês?

O pai colocou um punhado de palha na boca do jumento e pôs a mão sobre o ombro do filho.

"Independente do que fazemos", disse, sempre há alguém que discorda de nossa ação.

Acho que nós mesmos precisamos determinar o que é correto".

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

COMUNIDADE SENHOR BOM JESUS – VICENTINÓPOLIS A VIDA DA COMUNIDADE


COMUNIDADE SENHOR BOM JESUS – VICENTINÓPOLIS
A VIDA DA COMUNIDADE
         Sempre houve a necessidade de conhecermos a formação de nossa comunidade, o início das atividades da Igreja Senhor Bom Jesus, época de sua instalação, os motivos que levaram as famílias a se instalarem em suas imediações e as razões pela escolha do padroeiro. Inúmeras são as perguntas e poucas as respostas que encontramos, principalmente em relação a datas.
         Pesquisando a história da comunidade, em fontes divulgadas oficialmente como Prefeituras, Cartórios de Registro de Notas e Imóveis e em documentos públicos, encontramos fatos históricos que se iniciam com o desenvolvimento do oeste paulista, ou sertão paulista como chamado antigamente.
Historicamente, o município de Jaboticabal, no ano de 1867, abrangia as regiões de São José do Rio Preto, Jales, Fernandópolis, Votuporanga, Araçatuba, Barretos, Catanduva, Novo Horizonte, entre outras, estando limitados pelos rios Mogi Guaçu, Grande, Tietê e Paraná. Desde então, Jaboticabal teve diversos desmembramentos dando vida a outros municípios.
A expansão da cafeicultura para o oeste do Estado de São Paulo, na segunda metade do século XIX, além da implantação das ferrovias, foram os marcos do desenvolvimento da região, (1), local onde hoje nos encontramos.
 Em 1º de Julho de 1898, foram cortados e loteados terrenos (glebas de terras), sítios e fazendas no chamado Sertão de Rio Preto  
Uma estrada Boiadeira, com demanda ao Sertão rumo ao Porto Taboado, passava pelo Patrimônio Água Limpa, ponto de pouso de boiadas e comitivas que por ali transitavam.
Com a venda de glebas de terra aportaram desbravadores que deram início a derrubada das matas e o plantio de café, cereais etc, Como ocorria em muitas localidades, naquela época os lotes eram oferecidos gratuitamente para aqueles que tinham condições de construir.
A 08 de fevereiro de 1912, o Patrimônio Água Limpa, foi elevado a categoria de Distrito Policial. Com ajuda do povo da cidade e da região houve a venda de terrenos foreiros. (2) O referido patrimônio tornou-se o atual município de Monte Aprazível comarca que inicialmente recebia os registros de nossa região. (3)
As Bandeiras, símbolo maior do desbravamento do interior do Estado de São Paulo, ainda no período colonial, foram os primeiros grupamentos civilizados a registrar passagem por estes rincões utilizando a navegabilidade do rio Tietê. No entanto, não deixaram qualquer sinal de civilização ou povoamento. Alguns parcos registros históricos mencionam mapeamentos feitos na região com o escopo de encontrar pedras preciosas  e outras riquezas que pudessem dar lucro ao império português.
Mais tarde, já no período republicano, início do século XX, o anseio de povoar o interior do País com o intuito de pacificá-lo como nação, ratificando o trabalho iniciado pelos Bandeirantes, e defendendo nossa soberania contra os interesses de outros países, somado à necessidade de escoar a produção aurífera das novas minas de Cuiabá fez surgir a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), que havia sido idealizada ainda no período imperial pelo próprio D. Pedro II, mas que não tinha saído do papel.
Apesar das dificuldades, com o passar do tempo a estrada de ferro foi avançando sertão à dentro. Concomitantemente surgiram alguns lugarejos ao longo do traçado. Entre esses, um inaugurado em 02 de dezembro de 1908 foi a estação Araçatuba. Há até uma teoria de que a NOB e alguns  políticos mantinham um relacionamento estreito, manipulando a criação de cidades ao longo da ferrovia onde se fariam pequenos loteamentos visando facilitar no futuro a reclamação das terras e conseqüentemente evitar as disputas judiciais. (4)
Nesta época o desenvolvimento da região se dava pelos dois lados do rio Tietê. De um lado temos a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil que foi aberta em 1906 e que chega em Araçatuba em 1908 e em 1910 atingiu as margens do rio Paraná, em Jupiá. (5).
         Pelo outro lado do Rio Tietê com a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense (EFA), em 1912, até Rio Preto, aquele município assume o seu destino de pólo comercial de concentração de mercadorias produzidas no então conhecido Sertão e polo de distribuição de materiais vindos da capital.(6)
Em 17 de fevereiro de 1919, o Senhor Thomas Sebastião de Mendonça, e sua esposa, cumprindo promessa religiosa, doam uma gleba de terra de 10 alqueires ao bispado de São Carlo, para que ali fosse fundado um povoado em homenagem aos seus santos devotos, Santo Antônio e Nossa Senhora do Carmo.
A 31 de dezembro de 1963 é publicada no Diário Oficial do Estado, a elevação da vila a condição de Distrito, com a transferência da sede do Distrito de Major Prado para Santo Antônio do Aracanguá.
A ascensão a município veio depois de muitas lutas. Em 19 de maio de 1991, finalmente a população de Santo Antônio do Aracanguá aprova em plebiscito, a sua emancipação política, desmembrando-se do município de Araçatuba e, abrangendo em sua área territorial os bairros rurais de Major Prado e Vicentinópolis, que hoje são Distritos de Santo Antônio do Aracanguá.(7)
            Aprofundando a pesquisa encontramos no Cartório do Registro de Imóveis de Monte Aprazível a Transcrição sob número 541, livro n. 3, página 167, aonde o Senhor Augusto Ribeiro da Silva, vindo de Jaboticabal trazido por José Bento de Camargo, faz o registro da aquisição de terras situadas na Fazenda Macahubas, adquiridas do Senhor Joaquim Costa e de sua esposa a senhora Elvira S. Costa, confrontando-se por um lado com o adquirente, por outro com Jose Bento de Camargo por outro com Francisco Lisboa e finalmente com o córrego Macahubas, registro este realizado em 11/10/1928.
Encontramos também outros registros realizados em 26/11/1931 e 12/12/1931, Transcrição número 2.215, livro n. 2-C, página 136, do Cartório do 1º Ofício de Rio Preto, onde consta o registro de recebimento por Sentença Homologada em Rio Preto em 21/09/1915 de suas primeiras aquisições de terras onde hoje nos encontramos.
Importa que nestes documentos pesquisados consta também a partilha feita pelo espólio de Anna Pereira Ribeiro, transcrições n. 8.570 a 8.578, registradas no livro n. 3-J, páginas 274 a 283 de 10/10/1938, onde aparece como confrontante da área partilhada a “Matriz da Povoação de Vicentinópolis”.
Neste mesmo documento há inclusive a seguinte citação: “...até encontrarem um marco de pau-terra na divisa com Abrão Chibene e tomando por estas seguem no rumo S.E. 2º700 metros até uma rua sem nome da povoação de Vicentinópolis e seguindo por essa rua até o largo da Igreja, contornando-se o largo vão até a casa de Abrão Chibene e daí tomando a estrada de automóvel que vai para Araçatuba...”
Assistindo ao documentário produzido pela família, confirma-se a primeira aquisição do patriarca Augusto Ribeiro da Silva no ano de 1905, e registro da propriedade em 1912, dado que se aproximam da pesquisa realizada.
Interessa-nos que nestes documentos há o reconhecimento da área de terras de propriedade da “Igreja Matriz de Vicentinópolis”, ou seja, a Igreja Senhor Bom Jesus de Vicentinópolis.
São muitos os nomes da época, diversas famílias vieram para esta região, adquiriram suas propriedades, e, além da agricultura e pecuária, exploravam olarias.
Vale ressaltar que estas famílias em algum momento formaram esta comunidade e com seus esforços e dedicações escolheram Jesus como padroeiro a quem recorrer e pedir intercessões a Deus. Lembrando o que ele mesmo ensinou, “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, ali eu estarei”.
Consta que a princípio era uma Igrejinha de pau a pique, depois fizeram um prédio de alvenaria em seguida ampliaram e construiram a torre trocando inclusive o sino por outro maior (não encontramos registros de datas), vindo novamente ser ampliada na década de 1990 ficando da forma que se encontra hoje.
Assim como a Igreja, logo providenciaram um salão para festas e um coreto de onde se leiloavam os frangos e prendas trazidos pelas famílias em oferta e agradecimento. Há relatos de que o frango era assado nas casas pela própria família que os doava já assado.
O antigo salão também fora ampliado e posteriormente demolido na década de 1980 onde no local foi feita a construção da forma como é hoje e posteriormente ampliado nas décadas de 1990 e 2000. Recentemente (2010) tem nova ampliação, agora da cozinha.
Diversos padres e religiosas passaram por nossa comunidade, inclusive há o registro de um certo Padre Epifâneo, inclusive homenageado com nome de rua, porem nada sabemos de sua vida, o que nos entristece.
Encontramos nas Transcrições de Registro de Imóveis os seguintes nomes de pessoas que acreditamos serem os fundadores desta Localidade:
1.     José Bento de Camargo e sua esposa
Antonia Honorata de Jesus
2.     Augusto Ribeiro da Silva
3.     Joaquim Costa e sua esposa Elvira S. Costa
4.     Francisco Lisboa
5.     Justino Pereira Dias
6.     Delfina Maria de Jesus
7.     João Lisboa
8.     Samuel
9.     Gracinda
10.                        Miguel Mazzotti
11.                       Abrão Chibene
Ressaltamos que não há o interesse de privilegiar ou desmerecer alguma família, estamos em busca da origem de nossa comunidade e convidamos a todos que façam seus relatos por escrito, junte documentos, fotos, cópia de escrituras antigas e nos envie para juntos apurarmos e construirmos nossa verdadeira história.
Concluindo podemos declarar como registro inicial oficial o ano de 1912 como sendo de fundação desta comunidade, ou seja, contanto com 98 anos de idade rumo ao seu centenário em 2012. Podendo também estar completando 105 anos tomando por certo o documentário produzido pela família. Caso alguém encontre documentos que provem e contrarie esta pesquisa seus dados poderão ser alterados e publicados posteriormente. Há muita pesquisa ainda por fazer.
FONTE DE PESQUISA
1 - Prefeitura de Jaboticabal
2 – Foreiro – Aquele que faz uso de uma propriedade, recebe lucro e paga uma quantia anualmente ao senhorio ou q  ue tem uso ou privilégio garantido pela lei.
3- Cartório de Registro de Imóveis de Araçatuba
4 -Prefeitura Municipal de Monte Aprazível
5 - História da Ferrovia
6 –Prefeitura municipal de São José do Rio Preto
7 – Prefeitura Municipal de Santo Antonio do Aracanguá
8- Pesquisa realizada pelo prof. Mauricio Camargo